O Pregão Eletrônico nº 90012/2026, promovido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), está no centro de uma controvérsia após a revelação de um e-mail que sugere negociações prévias entre o Tribunal e a Seguros Unimed. A disputa envolve a contratação de serviços de assistência à saúde para magistrados, servidores e seus dependentes, e o conteúdo do e-mail, datado de 14 de agosto de 2026, levanta sérias dúvidas sobre a transparência do processo.
A mensagem obtida pelo Diário de São Paulo destaca que, antes mesmo da inabilitação da HB Saúde — a empresa que apresentou a proposta mais baixa — já se discutia a possibilidade de desclassificação dela e a redução de preços pela Seguros Unimed. Esse cenário, que se desenrolou enquanto a habilitação ainda estava em análise, suscita questionamentos sobre a regularidade das tratativas.
A Seguros Unimed, em resposta aos questionamentos, negou quaisquer irregularidades e assegurou que sua atuação seguiu as normas do certame. O TRF3, por sua vez, ainda não se manifestou sobre os detalhes do e-mail ou as razões que levaram à inabilitação da HB Saúde, deixando espaço aberto para futuras explicações.
Comunicação suspeita
O e-mail em questão menciona um diálogo entre um representante da Seguros Unimed e um funcionário do TRF3, identificado como “Sr. Alisson”. O remetente sugere que, se a HB Saúde fosse desclassificada, a Unimed poderia se ajustar ao orçamento de R$ 19 milhões mensais. Esta conversa, ocorrida enquanto a análise da habilitação da HB Saúde ainda estava em curso, levanta a questão de por que um assunto tão delicado estava sendo discutido antes da conclusão do processo.
Além disso, o e-mail indica que a possibilidade de uma redução de preços pela Unimed “tranquilizou” o interlocutor do TRF3, gerando ainda mais dúvidas sobre a imparcialidade do processo. O documento também menciona a possibilidade de prorrogação do contrato vigente, demonstrando que havia alternativas sendo consideradas antes mesmo da decisão final sobre a HB Saúde.
Inabilitação contestada
A HB Saúde, apesar de ter apresentado a proposta mais competitiva, foi inabilitada com base em dois principais argumentos. O primeiro alega que a empresa não atendia à regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para operar em São Paulo, enquanto o segundo diz respeito à insuficiência dos atestados de capacidade técnica apresentados, que não comprovavam experiência em âmbito nacional, conforme exigido pelo TRF3. A empresa contesta essas interpretações, afirmando que seus documentos demonstram aptidão para a execução do contrato.
Questões não esclarecidas
A cronologia dos eventos, especialmente a interação entre a Seguros Unimed e o TRF3, levanta diversas perguntas: por que a desclassificação da HB Saúde estava sendo discutida antes da conclusão de sua habilitação? Quem participou dessas conversas? Havia negociação de preços, ou apenas diálogos sobre possibilidades futuras? E a comunicação foi devidamente registrada?
A situação é complexa e ainda carece de esclarecimentos. O TRF3 não se manifestou até o fechamento desta reportagem, e a falta de respostas mantém a controvérsia em aberto. A Unimed reafirma que operou dentro das normas, mas o e-mail e a sequência de eventos continuam a provocar desconfiança sobre a lisura do Pregão Eletrônico nº 90012/2026.
Com o potencial de levar a questão ao Tribunal de Contas da União, as implicações dessa situação podem ser significativas, não apenas para as partes envolvidas, mas para a credibilidade das práticas licitatórias no Brasil. A transparência e a equidade devem prevalecer, e a sociedade aguarda respostas que possam esclarecer todos os pontos obscuros dessa licitação.

